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Crack: Tolerância Zero ou “Administrar” o problema, por Victor Calipo

Não é novidade que em São Paulo, assim como em diversas cidades do Brasil, ainda temos que presenciar cenas dramáticas de vidas sendo perdidas pelas drogas, em especial o crack.

Nos anos 80 quando se iniciou a “popularização” do crack, a administração pública não levou a sério o poder destrutivo que essa droga poderia causar na sociedade e nas nossas cidades e não agiu com rigorosidade devida na época, por seguinte os administradores que se sucederam poucos tiveram consciência e percepção do quanto é nefasta essa droga não somente com o usuário, mas com a família desse dependente e que atinge diretamente a sociedade; pois o dependente se torna não somente um problema social, mas um individuo improdutivo e destrutivo.

Pesquisando como outros países e outras cidades ao redor do mundo combateram o crack, encontramos um case de sucesso: nos anos 80 nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova York, o então prefeito Rudolph Giulliani e toda sua equipe de assessores e secretários, juntamente com a Polícia de Nova York do Departamento de Narcóticos, resolveram declarar guerra ao crack e outros narcóticos da época, para isso tiveram que ter TOLERÂNCIA ZERO com traficantes e até com os usuários para que se resolvesse de fato esse grande problema. Por mais dura que muitos podem achar essa ação, foi necessária e eficaz, pois seu resultado tem reflexos até os dias de hoje nas ruas de Nova York. Muitos dependentes se recuperam e conseguiram se reintegrar a sociedade, mas o importante dessa ação foi o fim do reinado de terror e abuso dos traficantes e de outros criminosos que lucravam com a situação.

O resultado dessa tolerância zero com o crack e outras drogas em Nova York rendeu bons frutos a todos. Os comércios e serviços nas regiões que eram afetadas voltaram a abrir, dando assim mais oportunidades de emprego e de integração social nas comunidades locais, a confiança entre as pessoas aumentou, as ruas que antes pareciam um lixão a céu aberto voltaram a ficar limpas e as pessoas novamente puderam transitar mais seguras e com tranquilidade.

Enfim, mesmo sabendo de cases de sucesso, porque no Brasil ainda temos que lidar com esse problema das drogas e do crack de maneira “administrativa” e não com o devido rigor que essa mazela social deve ser tratada?

Quantos jovens, pais, mães, crianças que poderiam ter um futuro promissor e que infelizmente perdemos por não termos atitude para combater esse mal diretamente em sua raiz, que é punir e bater de frente, sem tolerância, com os traficantes e demais criminosos que corrompem a sociedade e lucram sem escrúpulos com o revés dos dependentes que por não terem capacidade de fazerem escolhas melhores acabam infelizmente vendo nas drogas uma fuga momentânea de seus problemas, mas sem ter a percepção que adentraram em um poço de problemas ainda maior que muitas vezes não se tem mais volta, perdem suas preciosas vidas.

Por isso devemos pensar seriamente, por quanto tempo ainda iremos ter que conviver com essa irresponsabilidade “administrativa” e ver pessoas se destruindo no crack e outras drogas, sem perspectiva e jogando seu futuro no lixo, o cidadão se sentindo inseguro todo momento ao andar na rua, comércios e serviços sendo fechados por não ter segurança, ruas parecendo um verdadeiro lixão e o pior de tudo é achar tudo isso “normal”.

Ou nós brasileiros reagimos, dando um fim ao narcotráfico, esse parasita social que destrói nossa sociedade, ou estaremos fadados ao fracasso como nação.

 

Victor Calipo é Vice-Presidente da Juventude Democratas Paulista