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Há pouco mais de seis anos, no programa “Conversas Cruzadas”, Ciro Gomes, político conhecido por suas declarações polêmicas e, algumas vezes, coerentes, atacou o então pouco conhecido economista Rodrigo Constantino sobre onde seria possível cortar gastos e em quais ministérios. Após uma resposta de quem não possui experiência pública efetiva, trazendo apenas hipóteses sem dados reais, veio a tão famosa pergunta: ”Dá bilhão?”

Comecei falando sobre isto com intuito de apresentar que o Governo Federal sabe onde, quando e como pode cortar gastos, porém, insiste em tirar de onde não deve. Em menos de duas semanas, o novo Ministro da Fazenda Joaquim Levy fez ”dar bilhão” e não foram poucas vezes.

Cortes na pasta da Educação foram os mais fortes, R$ 7 bilhões, que por ironia do destino, ou não, é a pasta onde Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes está como ministro. Ironias do destino à parte, é triste ver um corte de tamanha magnitude justamente na área onde a população carente usa como trampolim para escalada social: os cursos profissionalizantes, que, diga-se de passagem, foram uma grande bandeira na campanha petista ao Planalto, citando o famoso Pronatec.

Podemos continuar com cortes citando R$ 1,9 bilhão na Defesa, R$ 1,6 bilhão na pasta de Ciência e Tecnologia, R$ 564 milhões na Agricultura, R$ 1,7 bilhão no Ministério das Cidades, que trata do trânsito caótico enfrentado pelo trabalhador diariamente.

Agora a pergunta que mais se escuta pelas ruas, becos e vielas é: onde está o Brasil vendido na propaganda do PT? O Brasil que qualquer cidadão gostaria de viver, mas não encontra.

Analisando os cortes percebe-se que agora o país não está mais com o freio de mão puxado, mas sim com a marcha ré ligada. Serão menos profissionais qualificados no mercado, menos tecnologia nacional sendo desenvolvida, menos infraestrutura… Enfim, menos qualidade de vida e respeito ao cidadão. Porém nada é tão ruim que não possa piorar, pois existem duas coisas que vão continuar subindo: os impostos e o endividamento do Governo Federal, dívida que hoje passa dos R$ 2 trilhões.

Apresentando estes bilhões que foram cortados em menos de duas semanas de análise feita pelo experiente e respeitado economista Joaquim Levy, ficam perguntas no ar como: será que dá para cortar mais? Porque o maior corte, e de longe, foi para Educação, logo no “Brasil, pátria educadora”? Será que Dilma continuará gastando milhões com viagens e levando sua trupe consigo? Será que não dá para reduzir o gasto com propaganda e marketing?

Porém, existe uma pergunta que permeia o olhar de cada brasileiro honesto, trabalhador e que jamais desistirá desta pátria amada: até quando assistiremos este festival de horrores petista?

Paulo Carvalho é historiador e membro da Juventude Democratas do Estado do Rio de Janeiro