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Drenagem Verde; por Ian Bueno

Drenagem Verde: a melhor solução urbanística para os cursos d’água nos centros urbanos brasileiros

A questão de como governos e sociedade lidam ou tentam lidar com os cursos d’água naturais que correm pelos municípios está entre os mais sérios problemas dos centros urbanos. Tais cursos costumam ser tipicamente incorporados aos sistemas de drenagem construídos a fim de evitar alagamentos nas áreas impermeabilizadas. Entretanto, acabam sendo vítimas da poluição e do crescimento desordenado, e para piorar, certos governantes e civis preferem que a vítima seja ocultada debaixo de novas praças e construções, como ocorreu com o rio Wien na capital austríaca e o Rio dos Seixos em Salvador.

O conceito de Drenagem Verde consiste numa sequência de procedimentos que visam à devida recuperação e a melhor disposição urbanística e paisagística de rios e canais prejudicados em grandes áreas urbanas, como os rios Camarajipe e das Pedras em Salvador e Tietê e Pinheiros em São Paulo.

Se o rio estiver poluído, o primeiro passo será desviar toda e qualquer tubulação de esgoto que esteja desembocando neste, além de se promover uma séria campanha contra jogar detritos nas ruas e nos próprios rios. Em seguida, deve-se limpar o rio por meio de dragagem e coleta de resíduos sólidos, enquanto que o consumo de impurezas menores deverá ser efetuado por fitorremediação e por introdução de bactérias decompositoras benéficas, as quais podem ser estimuladas por injetores de microbolhas de ar.

Uma vez que a limpeza do curso d’água esteja garantida, a atenção volta-se para as margens. Margens em concreto ou alvenaria de pedra somente deverão ser mantidas ou elaboradas em caso de alto risco de inundação, enquanto que o solo marginal deverá ser bem arborizado, visto que margens sem vegetação são como olhos sem cílios.

A arborização deverá ser feita com espécies nativas da área. No caso de Salvador, por exemplo, deverão ser plantadas palmeiras juçara, licuri e jerivá, bem como ingá-feijão, típica de beira de rio, pau-brasil, pau-ferro, pau-viola, caviúna, embaúba, dentre outras. Nas proximidades com o mar, prioriza-se o plantio de cajueiros.

Um exemplo de aplicação próxima ao conceito de Drenagem Verde foi limpeza e arborização com mudas de pau-ferro do canal de microdrenagem do Vale do Canela em Salvador, efetuadas pela gestão do prefeito ACM Neto. O conhecimento e a aplicação do conceito serão fundamentais na promoção da campanha “Volta Pinheiros” da Juventude Democratas de São Paulo.

Conforme dissertado acima, conclui-se que além de ecologicamente amigável e de recuperar os cursos d’água, a Drenagem Verde contribui para uma melhor paisagem urbana, o bem estar social, a preservação de espécies nativas, a valorização do ambiente urbano e a sensibilização da comunidade acerca do que é melhor tanto para o meio-ambiente quanto para a cidade.

Ian Bueno é conselheiro da Juventude Democratas da Bahia.