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É possível renovar a política? por Alexandre Almeida

Existe um ditado popular que “A esperança é a última que morre”. Mas, a esperança não pode morrer, pois é a chama que trás luz aos horizontes sombrios e permite enxergar novos caminhos. Essa compreensão deve inspirar a nossa sociedade neste ano que antecede o período eleitoral, para que possam observar com mais atenção os grupos políticos que se formam e suas alianças. Afinal, não é possível pensar em avanços, consertos e propostas sem a reconfiguração do universo político que rodeia nossa Goiana. E é certo dizer que graves problemas como corrupção, descaso e perseguição política, entre tantos outros males são alimentados pela velha política que está em nosso município e que vem enterrando a sociedade em um verdadeiro lamaçal. Então, é possível renovar a política? Essa é uma pergunta que não pode ser respondida com facilidade, mas que deve orientar a participação popular no processo democrático.

Podemos até pensar em nomes que ainda não disputaram eleições ou acreditar que tantos outros, já conhecidos, corrigirão suas posturas. De todas as formas, se vê que a lista das opções não é grande, pois a vaidade toma conta dos corações dos que almejam o poder executivo local e não deixa espaço para valores humanísticos, prevalecendo interesses partidários pouco nobres. O contexto goianense requer verdadeira conversão política. Isso exige que os pretensos candidatos não se limitem a apresentar-se apenas como “ficha limpa” e “honestos”. Também são dispensáveis os discursos vazios, que objetivam passar falsa imagem ao cidadão.

O desafio é reconhecer o autêntico sentido da política: lutar para contribuir com o bem comum e o desenvolvimento do município gerando emprego e renda. Cada cidadão precisa trabalhar para que o universo político alinhe-se a essa perspectiva. Na Bíblia, o profeta Isaías evoca a imagem de um pano sujo para se referir ao que é podre e corrupto. Podemos dizer que fizeram da política um “pano sujo” e a tarefa é recuperar o sentido genuíno da palavra. Para isso, antes de observar interesses partidários ou princípios ideológicos, a consciência cidadã precisa enxergar e buscar o que promove o bem de todos.

Consciente do sentido da política, o cidadão será capaz de questionar aqueles que exercem o poder e os que desejam ser representantes do povo. Sem esse questionamento, não se pode esperar que ocorram as necessárias mudanças no município. A eleição de pessoas capazes de conduzir Goiana rumo a novos caminhos depende, sobretudo, do compromisso cidadão de transformar o contexto político da cidade. Somente com o qualificado exercício da cidadania, será possível gerar os frutos de uma nova política. Nesse sentido, sejam combatidos discursos demagógicos, debates sem propostas, que se limitam ao ataque de concorrentes, procurando esconder as próprias limitações.

Cultivar a boa política é contribuir para ultrapassar a velha dinâmica que prioriza a busca egoísta pela satisfação de interesses pessoais ou de pequenos grupos, a partir do sacrifício de muitos como temos visto em Goiana nos últimos anos. É vencer processos com burocratizações estéreis que levam a perdas significativas e revelam a incapacidade para urgentes discernimentos. Mais importante: o passo para qualificar as instâncias do poder é reconhecer o real objetivo da política – estar a serviço da vida.

Para dizer a verdade, a política não pode ser identificada como conjunto de trapaças e outras atitudes que revelam mesquinhez. O bem comum precisa ser a meta de todos – cidadãos e candidatos. Ainda é tempo de convocar a todos para redobrar a atenção e buscar, esperançosamente, os frutos da nova política. Não é tarefa fácil, mas “a esperança é a última que morre”. A esperança não pode morrer.

Alexandre Almeida é Tesoureiro da Juventude Democratas Brasil