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Crise-economica

Que o Brasil não vai bem é notório, o cenário econômico atual é absolutamente catastrófico: Inflação estourando o teto da meta e corroendo o poder de compra dos cidadãos, retração no PIB pela primeira vez desde a estabilização monetária (1994), desemprego galopante, taxas de juros cada vez mais altas, rebaixamento nas notas de crédito pelas agências internacionais de risco e cotação recorde do dólar acima de R$ 4,00. Sim, o problema é grave. Pior ainda, o governo não dá sinal algum no sentido de corrigir os erros que nos trouxeram até aqui, resistindo bravamente ao corte nos altíssimos gastos públicos e jogando a conta para o povo pagar com aumento de alíquotas e criação de novos tributos – Querem ressuscitar a CPMF, pasmem! O custo Brasil rompeu a barreira do sustentável, uma vez que a manutenção do poder que o PT pratica tem base no fisiologismo e o preço que o mercado cobra por tanta farra e irresponsabilidade não é barato.

“Mas existe solução para tanta desgraça?” Sim, existe. Há mais de 200 anos a civilização presenciou a superação de um modelo econômico essencialmente agrícola através da instituição do capitalismo. A mecanização da manufatura e a produção em larga escala trouxeram avanços. O sistema fabril trouxe um aumento no padrão de vida geral, à rápida queda das taxas de morte urbana e à mortalidade infantil decrescente, assim produzindo uma explosão populacional sem precedentes. Na metade do século XVIII a população na Inglaterra era de seis milhões, passou a ser de nove milhões em 1800 e doze milhões em 1820, uma taxa de crescimento nunca vista em qualquer era. A proporção dos nascidos em Londres que morriam antes dos cinco anos de idade caiu de 74,5% em 1749 para 31,8% em 1829. Crianças que até então teriam morrido de fome em sua infância, agora tinham uma chance de sobrevivência. A escassez foi transformada em relativa abundância. Ambos, o aumento populacional e a crescente expectativa de vida, desmentem as afirmações dos socialistas críticos do capitalismo de que as condições das classes trabalhadoras progressivamente deterioravam-se durante a Revolução Industrial. Não era algo organizado, seguro e higiênico tal qual experimentamos hoje, mas decerto apresentava uma evolução em relação ao modelo rural, uma vez que a migração do campesinato para a zona urbana não cessou, só cresceu.

Esse avanço no processo produtivo permitiu a geração de insumos em larga escala e, em termos gerais, reduziu a jornada de trabalho através do processo de cooperação social ou colaboração mútua, onde indivíduos diferentes produzem entre si e somam forças de trabalho tendo em vista um objetivo comum – o lucro. Em outras palavras, o capitalismo deu condições para que uma claque de “intelectuais” tivesse tempo e comida o suficiente enquanto pensavam-se teorias contra ele próprio. Tudo isso na completa ausência de um planejamento central, sem a interferência de uma autoridade que dá ordens e dita ações até o surgimento de algum progresso.

O fato é que a base do capitalismo é a propriedade privada, a economia de mercado e a liberdade de escolha na qual ela se fundamenta. O consumidor assume o posto soberano e dita as regras de acordo com as tendências gerais da sociedade. O mercado não possui valores, indivíduos possuem valores. É daí que surge a demanda, o preço final de reprodução e a oscilação entre o que é produzido e o que se consome. Como as preferências e as vontades das pessoas variam no espaço e no tempo, podemos inferir que não há nada mais democrático que o próprio mercado. Esse é o grande valor do sistema capitalista, o estabelecimento de uma base de incentivos capaz de ditar o que é bom e o que é ruim de forma clara. Adam Smith denominou esse processo da força que as pessoas exercem na busca pela adequação do produto final como “Mão Invisível”. Há empresas e indivíduos capazes de produzir um bem ou serviço de qualidade a um preço aceitável, esses são recompensados com prosperidade e boa lucratividade. As empresas que não são aprovadas pelo crivo popular através dos seus préstimos são penalizadas com a bancarrota, ou pelo menos deveriam ser, uma vez que o estado surge periodicamente com o intuito de “salvar” aquilo que já foi reprovado pelo consumidor na própria base. Quanto mais livre é o mercado, maior é a soberania do indivíduo, visto que este passa a expressar sua vontade de consumo numa forma mais rápida e clara. Quando o estado se afasta e não intervém na economia, a tendência é o avanço gradual na acumulação de capital, ampliação dos investimentos internos e externos e a conseqüente melhora na vida dos cidadãos, que passam a ter mais emprego, poder de compra e disposição a bens de consumo em abundância.

É bem verdade que o atual momento da economia brasileira não é tão ultrapassado quanto à Inglaterra pré-industrial, mas o remédio é o mesmo, não se enganem. Só o capitalismo é capaz de curar os sintomas pelos quais passamos hoje. O mercado brasileiro é um dos mais fechados do mundo, o que torna a indústria nacional defasada e obsoleta através do protecionismo que o estado impõe. A baixa competitividade incentiva a manutenção dos preços altos sem a supressão das demandas, o governo nos entope de impostos sobre produtos e serviços importados para impedir que as empresas nacionais jurássicas sofram com a concorrência. Ainda há o agigantamento da dívida pública para cobrir os déficits orçamentários resultantes de uma gastança sem fim na última década, o que gera desvalorização da moeda (inflação), alta nas taxas de juros e inibição de novos investimentos. Soma-se a tudo isso a precarização do nosso setor de infra-estrutura, que padece com estradas estatais assassinas, portos inoperantes e aeroportos que não atendem sequer a demanda turística. Não é de hoje que a produção agrícola – representante de 25% do PIB nacional – é freada por falta de condições no escoamento das safras, as privatizações no setor fazem-se urgentes. Em 2013, a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) divulgou um estudo apontando que as 10 melhores estradas do país são privatizadas. No porto de Santos, o maior do país, um contêiner fica parado, em média, 17 dias. A média mundial é de cinco dias; no setor privado é de dois dias. Ressalte-se ainda que, nos portos privados da Ásia, o custo médio da movimentação de um contêiner é de U$ 75,00, enquanto no Brasil é de U$ 280,00. É só uma breve ilustração do custo Brasil e do quanto a iniciativa privada é penalizada na hora de pagar a conta de um governo irresponsável que não tem limite de gastos e despeja bilhões por ano no ralo da corrupção.

A solução pode parecer amarga, mas não é. Não há outra forma de tirar o Brasil do buraco em que o PT enfiou. Chegou à hora de superar o discurso que vilaniza a classe empresarial e impede o desenvolvimento socioeconômico do país, o brasileiro tem que entender de uma vez por todas que o inimigo é outro. Quem bate oito recordes tributários consecutivos, comete crime de irresponsabilidade fiscal, burocratiza todas as vias produtivas e usa do estelionato eleitoral como recurso pra se manter no poder, definitivamente não merece o benefício da dúvida. Ficamos pra trás na roda da fortuna e agora temos de responder à altura. Para o Brasil voltar a crescer são necessárias boas doses de capitalismo e, claro, a derrocada dos responsáveis pela crise, que de internacional não tem nada.

André de Oliveira é estudante de Direito e membro da Juventude Democratas da Bahia