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O Momento Certo, por Mateus Teixeira

É indiscutível a instabilidade política pela qual o Brasil hoje passa. O idealismo foi forçosamente abandonado em prol da realpolitik à brasileira, que infelizmente tornou-se sinônimo de “salve-se quem puder” em um mar tumultuado de escândalos. O naufrágio dos grandes torna-se a perdição dos pequenos, enquanto as nuvens negras continuam a se acumular no céu como urubus vorazes.

A fragilidade das instituições tornou-se uma marca dos governos mundiais nos anos que se passaram. Tal como crianças, muitos bradam violentamente contra tudo e todos os que os cercam. A ordem (ou desordem, como preferir) do dia é encontrar um culpado, um culpado e um messias. Cenário previsível, levando em conta o processo que trouxe a todos até aqui, um processo deplorável de acumulação de erros e eliminação de acertos.

Clamam pela segurança os mesmos que destroem as bases da máquina pública. Clamam pelo bem social os mesmos que apoiam a destruição do Estado pela corrupção. Postam-se como guerreiros os de consciência social, ao mesmo tempo que incentivam a destruição de tudo o que sustenta a sociedade. Matam-se por dia milhares de águias no céu, para que possa ser preservado um único coelho ferido.

Tudo começou quando o significado de responsabilidade foi esquecido. O pilar fundamental para os direitos, o bastião primeiro da civilidade. Ser responsável é a única forma de ser cidadão. Responsabilidade primeiramente para com seus deveres, em seguida para com as necessidades de sua família e dos que dependem de você, culminando necessariamente na atenção para com as de toda a sociedade. Saindo de cena a consciência, toma o palco o relativismo barato, o niilismo generalizado e o culto ao hedonismo.

Si vis pacem, para bellum. O ditado latino encarna em sua essência o conceito da responsabilidade. “Se deseja paz, prepare-se para a guerra”, pois é a responsabilidade nos momentos de paz que impede a catástrofe no caos. No cenário mundial, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, cresceu a aversão à autoridade e hierarquia, cresceu o clamor pelo caos sobre a ordem. Deixou-se de considerar algo muito simples: o estado natural de tudo o que existe é, com o tempo, degenerar-se, na ausência de cuidados. Você mesmo pode comprovar isso: feche um quarto de sua casa por um ano inteiro e torne a abri-lo passado este tempo e verá o que quero dizer.

Sem a mente do consciencioso, de pouco vale a genialidade, as ideologias, os valores, os discursos. Tudo degenera em demagogia barata e suja, intencionalmente ou não. A política, sem responsabilidade, chega ao absurdo ponto no qual mesmo o honesto é obrigado a sujar suas mãos se quiser conseguir fazer algo. A imprensa, sem responsabilidade, se torna o patético balcão de negócios que hoje vemos. Tudo é belo no papel, mas amargo na vida real.

Surgem as aves de rapina do pior tipo, interessadas na destruição de tudo e todos, desde que isso represente o crescimento de suas contas bancárias. A usura representa a expressão máxima da irresponsabilidade e seu culto representa a total baixeza moral do Homem. Mas, afinal de contas, o que posso eu esperar de corvos carniceiros e crianças irritadas?

É utópico esperar que um dia, em algum lugar do mundo, exista toda uma sociedade composta por seres responsáveis e conscientes de seu papel. E é por isso que escrevo este artigo, um grito, um clamor para aqueles que gostam de pensar que têm seus olhos abertos para a verdade. A história nos ensina e nos prova que as piores crises são resolvidas pelos poucos que resolvem afastar-se da turba nervosa e louca para trazer de volta as verdadeiras soluções.

Afaste-se da modernidade líquida, como brilhantemente conceituou Zygmunt Bauman, e ouça o que realmente importa para todos os que vivem neste momento complicado, mesmo que a maioria não perceba: somente a reunião dos que pensam grande poderá mudar o momento dos que estão presos na pequenez, e não há melhor hora do que a que se vive para fazer o que deve ser feito. Tudo o que deve importar, a quem realmente deseja fazer a mudança, é manter-se de pé entre as ruínas.

Mateus Teixeira é Coordenador Regional da Juventude Democratas Carioca