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Os Estados Unidos e o Realismo Clássico de Morgenthau na Diplomacia, por Linik Rykaszewski

Em pleno 2017, mais especificamente 69 anos após sua grande obra ter sido publicada, “A Política Entre as Nações”, o grande teórico no estudo da teoria clássica das relações internacionais, Hans Morgenthau (1904-1980), ainda se mostra como algo bastante moderno no que se diz respeito aos Estados e a busca pela maximização do poder.

Em um caso mais específico e notório, parece que os Estados Unidos é tudo aquilo que Hans Morgenthau, ainda em 1948, já visava como objetivo de um Estado. Dentre suas teorias e formulações, destaca-se dentre seus princípios, quatro que são claramente este país de 2017, projetado ainda em 1948:

O primeiro conceito que destaco é o interesse dos Estados pelo poder, algo que tem caráter objetivo e validade universal, mas não deve ser visto como algo fixo ou permanente. Um exemplo claro disso é quando Trump diz, durante as eleições presidenciais, que não haveria interferência norte-americana em território sírio, deixando tal posição totalmente desatualizada há algumas semanas, comprovando que o interesse dos EUA pode, num dia, ser a negociação e no outro, o bombardeamento.

O segundo conceito é que há tensão entre política e moralidade, onde por obrigatoriedade do pensamento realista, um Estado não poderia colocar a moralidade à frente do seu objetivo de poder político. Basicamente, o que é errado em termos morais, não poderia deixar de ser feito se o Estado poderia ter ganhos políticos agindo de uma forma “imoral”. Novamente, na prática, jogar mísseis Tomahawk na Síria seria bastante benéfico em termos de popularidade para quem está no comando do Executivo de um país, apesar de violar o direito internacional e partir para a agressão de um Estado soberano, além de demonstrar força para rivais estrangeiros (leia-se Rússia) – tendo aí um conflito entre ética política (poder) e ética abstrata (moralidade).

O terceiro conceito é a moralidade do Estado que não poderia clamar por uma validade universal. Algo clássico que os Estados Unidos, não só com Donald Trump, mas de governos anteriores, estaria usando na prática quando diz que “a luta contra o terrorismo é uma pauta global e necessária em nome da democracia”. Um questionamento muito simples de ser feito nesse caso é sobre “o que é certo para o meu Estado, é certo para outros?”.

Por fim, a política se diferencia das demais áreas de conhecimento. Justamente por ser uma área que não é repetitiva, nem fixa, principalmente quando tratamos da política internacional. Se, por exemplo, um diplomata tinha quase certeza de que Trump poderia representar uma aproximação entre o Kremlin e a Casa Branca, agora essa mesma ideia mostra-se defasada e ultrapassada em questão de poucos meses. A incerteza e a mudança constantes nessa área são uma característica quase que única em comparação às outras áreas de estudo, até mesmo quando se envolve política.

Linik Rykaszewski é estudante de Relações Internacionais e Coordenador Regional da Juventude Democratas Carioca