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Os pobres precisam ser prioridade no Brasil – por Bruno Alves

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2019, do Programa Nacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil é o 7º país mais desigual do mundo, ficando atrás apenas de algumas nações africanas.

As desigualdades no Brasil são conhecidas há muito tempo, a pandemia do coronavírus não nos trouxe nenhuma novidade. Apenas colocou em evidencia a incapacidade do Estado brasileiro em olhar para essas desigualdades com o objetivo de por fim, ou, no mínimo, enfrentar esse problema que atinge a maioria da população.

Há ações que são primordiais para que um país se transforme em uma grande nação e, indiscutivelmente, a educação é a fundação responsável por garantir sustentabilidade em todas as demais iniciativas. Porém, em nosso país, o acesso a educação de qualidade ainda é um privilégio. Sendo assim, falhamos no inicio da construção.

Como mudar um país que oferece uma educação incerta para suas crianças? Precisamos criar oportunidades educacionais, mas o que fazemos hoje é justamente o contrário. O Estado está perdendo talentos, destruindo sonhos e não oferecendo as ferramentas necessárias para que os brasileiros possam desenvolver suas habilidades.

O que falar do saneamento básico? Segundo dados de 2018 do SNIS, Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, metade da população, mais de 100 milhões de pessoas, não tem acesso a sistema de esgoto, 16%, quase 36 milhões, não tem acesso a água tratada.

A Constituição de 1988 traz a saúde como um direito do cidadão e um dever do Estado. Deveria seguir como bússola, mas, nela você consegue encontrar tudo que é negado ao povo brasileiro na mesma frase, oração, ou período que possua a palavra dever. Ou os problemas de saúde no Brasil só acontecem em períodos de pandemia?

Nós precisamos de pessoas que pensem grande, que olhem para os mais pobres como solução e não como problema. Que sejam capazes de enfrentar os problemas com inovação, mas ao mesmo tempo tenham a consciência que essa inovação não irá surgir em uma mesa em que todos os assentos são utilizados por privilegiados.

É preciso colorir e trazer novos autores para que as mudanças sejam alcançadas. A cabeça pensa onde o pé pisa. Nós precisamos aprender com a nossa diversidade, derrubar os muros que nos separa e criar pontes. Nós precisamos juntar nossos saberes e não brigar para ver quem sabe mais.

Quando eu ando nas comunidades e nas favelas, que também faço parte, vejo em todos os lados talentos, empreendedores e inovação, ao mesmo tempo que vejo o país perder tudo isso por não compreender que esses espaços são, também, o Vale do Silício que o Estado desconhece.

Nós precisamos de pessoas que sejam capazes de unir até quem pensa diferente, mas que estejam envolvidas no propósito de atacar as mazelas que tiram a cidadania de milhões de brasileiros. Essa mudança está na política, mas também está fora dela.

Bruno Alves é Secretário Nacional da Juventude Democratas