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As críticas políticas à PEC 241 não fazem o menor sentido e afirmar que direitos sociais agora estão ameaçados é exercício de desinformação ou mera ignorância.

Entre 2005 e 2014, os gastos com educação pública aumentaram em 501% e os índices médios do IDEB evoluíram em baixa escala, não correspondendo ao montante investido. O custo de manutenção da saúde pública triplicou no mesmo período e o número de assistidos permaneceu praticamente inalterado. Por quê?

Gastar muito não significa gastar bem. Torrar bilhões nos bolsos (e cuecas) de lobistas e burocratas do Estado não garante bom serviço a nenhum cidadão. É preciso mais prudência e menos orgulho ideológico pra entender o óbvio: A máquina pública está mais inchada do que um baiacu e puxar o freio de mão no atual momento do país é uma manobra de urgência.

O Deputado José Carlos Aleluia foi preciso ao dizer que “baixar os gastos significa controlar a dívida. Controlar a dívida significa reduzir os juros. Reduzir os juros significa o aumento da oferta de emprego”. Isso porque temos 60% do Tesouro Nacional amarrado em ativos do BNDES e dívida (interna) pública correspondente a mais da metade do PIB.

Foi o populismo vadio e irresponsável do governo anterior que colocou o país no buraco e não há remédio doce pra doenças graves. Se mesmo com a Lei de Responsabilidade Fiscal o gasto público cresce desmedidamente acima da inflação e da arrecadação, somente uma providência rígida e incontornável poderia lhe frear. A dívida pública não vai ser equilibrada com frases de efeito e romance, tampouco as garantias sociais dos mais necessitados serão reavidas sem o uso de medidas impopulares.

Sim, reavidas. O nosso avanço econômico da última década desmoronou ante a um derretimento desenfreado do PIB, inflação aninhada no teto, taxas recordes de juros e desemprego em massa. O poder de compra de todos os brasileiros foi reduzido e a lentidão do fluxo da moeda nos colocou em estado de recessão. O governo acaba de dar um passo fundamental para a recuperação fiscal das nossas contas e merece positivo reconhecimento por isso.

O reequilíbrio do país pode ter sido iniciado pelas mãos de mais de 360 deputados. Chegou a hora de engolir o orgulho, pensar no futuro e entender de uma vez por todas que a dor da injeção é menor do que o padecimento do paciente. Curar hoje, curar agora. Sem longo prazo. Porque a fatura alta revela a amarga realidade: Pro Brasil, o longo prazo já chegou.

André de Oliveira é Vice-Presidente da Juventude Democratas da Bahia e membro da Comissão de Formação Política da Juventude Democratas Nacional