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Precisa-se de um Kagemusha, por Gabriel Guimarães

No dia dezessete de maio, o colunista do jornal “O Globo” Lauro Jardim escreveu em seu blog a seguinte manchete: “dono da JBS grava Temer dando aval para a compra de silêncio de Cunha”. Quando Gutenberg auxiliou na criação da imprensa, seu propósito principal era de informar a população sobre aquilo que ocorria em seu contexto renascentista. Ele, contudo, não imaginava o rumo que a entidade midiática tomaria após tantos séculos de sua morte. Lauro Jardim representou a caricatura da irresponsabilidade midiática, juntamente com a falta de caráter presente nas instituições presentes na sociedade – uma vez que sua manchete era demasiadamente sensacionalista, falaciosa e com interesses obscuros.

Segundo o princípio de Kagemusha, escrito pelo economista e um dos pensadores do plano real, Gustavo Franco, o mercado – embora ocorra uma auto regulação – precisa de uma figura de liderança, mesmo que essa não realize absolutamente nada, mas seja responsável para direcionar o ambiente econômico. Temer, em vista disso, trabalhava em prol de reformas com alto impacto econômico, as quais o mercado enxerga com bons olhos e permitia essa condução do Presidente. Comprova-se esse fato, visto que o Brasil atingiu na primeira metade do mês de maio um índice de empregabilidade maior do que os de demissões. A inflação estava estipulada abaixo da meta. O PIB tinha previsões de crescimento significativo para o decorrer dos anos. Entretanto, grande parte do esforço da equipe governamental de Temer ruiu após a notícia de Lauro Jardim. Ora, não se deve noticiar um possível ato de corrupção o qual envolve o Presidente? Obviamente. Percebe-se, no entanto, que o fato da notícia ter sido divulgada antes das gravações demonstra o teor diferenciado delas. Ao passo que a reportagem acusa Temer de corrupção, na gravação carece de clareza. Lauro não se importou com isso.

Não obstante, é notória a presença de um individualismo exacerbado por parte de diversos setores da sociedade – sobretudo a imprensa. O colunista não se preocupou com os efeitos de sua notícia equivocada no país. Como o mercado reagiria e consequentemente os empregos que deixarão de serem criados – ou até extintos. Caso exista corrupção, deve ser investigada, contudo, não cabe a mídia esse processo de perseguição e favorecimento especulativo. Em vista disso, fala-se de favorecimento, pois antes das gravações serem divulgadas a JBS comprou cerca de um bilhão de dólares no mercado de ações. Em decorrência do escândalo, o preço da moeda aumentou em 8% – maior índice desde 1999 – e no mês anterior, de acordo com o jornal Valor Econômico, os controladores da JBS venderam o equivalente a R$ 327,4 milhões em ações da empresa ao longo de seis dias. Alguns dias depois, a empresa comprou 19,3 milhões de ações dela mesma – cerca de 60% dos papéis que tinham sido vendidos pelos controladores. É evidente, dessa maneira, um claro interesse empresarial no lançamento da matéria. Mais uma vez percebem-se no Brasil os interesses de pequenos grupos se sobrepondo aos verdadeiros interesses do povo.

Em face desse panorama, Temer perece cercado por uma incerteza no Congresso Nacional, protestos nas ruas e em Brasília, mercado especulativo que considera outros nomes para seu posto. Sua gestão está por um fio. O Brasil e a economia precisam de um Kagemusha, um rumo o qual estava bem determinado, porém com a problemática dos interesses individuais colocou todo o avanço do governo em perigo. Talvez Gutenberg esteja a fim de voltar do mundo paralelo para conversar com essa imprensa atual, ou será que ela convencê-lo-ia a comprar alguns dólares?

Gabriel Guimarães é Coordenador Regional da Juventude Democratas Carioca