Artigos

Intolerância, coibição, perseguição e desconhecimento. Essa compilação de atitudes, quando pespegadas perante a comunidade LGBT, sucede em um agente homofóbico. Advindas da atuação coercitiva e repulsiva de indivíduos homofóbicos, a sociedade soteropolitana recebe, em menos de três meses, a segunda notícia de violência brutal que resultou em óbito de jovens homossexuais na capital. 

Após três meses do assassinato do estudante de engenharia Rafael Braga, 20, ocorrido em abril de 2016, a comunidade de Salvador assiste, com espanto, a mais um caso fatal de homofobia. O jovem promotor de eventos, Leonardo Moura, 30, foi encontrado desacordado em uma praia do Rio Vermelho após sair de uma festa na localidade. Tamanha a violência das agressões, o espancamento gerou grave dano renal, provocando dilaceração de um dos rins do rapaz, que não resistiu à cirurgia e veio a óbito. Espantosamente, as perícias policiais responsáveis pelos casos acreditam que as mortes dos dois rapazes tenham sido motivadas por uma queda. 

Por conseguinte, após tantas demonstrações de violências sem fundamentos, cabe a seguinte questão: por que a violência contra os LGBT’s persiste em nossa sociedade?

Em primeiro âmbito, tal persistência é resultado da omissão do Senado e do Congresso Nacional. Após tramitar por oito anos sem avançar no Legislativo, o PL 122 (que, embora contenha falhas absurdas em sua redação inicial, é o mais próximo que se chegou de uma legislação específica para a criminalização da homofobia) foi arquivado em janeiro de 2015 pelo Senado Federal. Desse modo, não criminalizar a homofobia é ser cúmplice da violência que assola a comunidade LGBT. 

Ademais, todo e qualquer ato de coibição, como a homofobia, fere a liberdade individual, desrespeitando e tolhendo as particularidades de um indivíduo por fatores que não ferem a ninguém. 

Sendo assim, acreditamos que a Juventude Democratas, partindo dos preceitos do liberalismo individual, crê que cada indivíduo é soberano sobre si, sobre seu corpo e sua mente e tem o direito de desfrutar de sua liberdade de forma pacífica. Por tudo isso, dizemos não à violência, dizemos não à homofobia. 

Gabriel Carneiro Rios é Vice-Presidente de Ação Social da Juventude Democratas de Salvador-BA