Artigos

Reforma da previdência: a esquerda não é contra, ela é oportunista; por Bruno Alves

A reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com o ministro da economia Paulo Guedes deixou claro como a esquerda foi e ainda é prejudicial ao desenvolvimento social e econômico do Brasil. Negaram obviedades, a exemplo do déficit da previdência que alcançou em 2018, R$ 195,2 bilhões, e cientes da audiência daquele momento lançaram informações falsas para confundir a população.

A esquerda não é contra a reforma da previdência, ela não é favorável que a reforma seja executada por um governo que não seja capitaneado por seu espectro político. O desejo dessa esquerda raivosa, que finge defender os mais pobres, é o fracasso do governo, mesmo que o custo dessa opção seja a falta de investimentos em áreas importantes como saúde, educação e segurança pública.

Em 2003 a reforma da previdência liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi compreendida pelo governo como a primeira grande vitória e não estavam errados. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, em oito anos de mandato não conseguiu alterar o sistema nacional, conquistando mudanças apenas no setor privado referente aos aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A reforma da previdência realizada pelo governo Lula foi um dos alicerces fundamentais para consolidação e maximização de politicas iniciadas no governo FHC, assim como, para investimentos em novas ações, projetos e programas. Essa é a grande preocupação da esquerda brasileira: que a reforma da previdência seja a ponte para o futuro e crie um ambiente favorável aos investimentos, gere emprego e renda.

No governo da ex-presidente Dilma Rousseff o PT também era favorável à reforma. Em café da manhã realizado com jornalistas no Palácio do Planalto, dia 07/01/2016, a presidente admitiu que cometeu erros na gestão econômica e afirmou que o Brasil teria que encarar a reforma da previdência Social. Nesse momento abordou o aumento da expectativa de vida, criticou a falta de idade mínima e afirmou que os países desenvolvidos aumentaram a idade mínima.

O Partido dos Trabalhadores e demais partidos de esquerda prestam um desserviço à nação. Estão pensando ininterruptamente nas próximas eleições e olham para o sucesso da reforma como um dos principais adversários para o seu retorno ao poder. Para essa facção a reforma deveria ser aprovada apenas no último ano de governo, para que a gestão não seja exitosa e as mazelas do país sejam exploradas em horário eleitoral.

O ministro Paulo Guedes fez uma excelente apresentação na CCJ. Talvez tenha falhado em não levar uma apresentação, às vezes é necessário desenhar para quem insiste em não compreender o óbvio.

Porém, foi perfeito em trazer para a luz os movimentos realizados pelos petistas enquanto governo: com Lula os servidores públicos perderam a aposentadoria integral, com Dilma foi criado regime de capitalização para complementar a aposentadoria dos servidores, as desonerações que transferiu dinheiro para os ricos foram realizadas por ambos os ex-presidentes.

O ministro deixou a esquerda desorientada entre gritos, olhares perdidos e discursos alimentados por mentiras e agressões. A suspensão da audiência foi uma tentativa, bem sucedida, de frear o bom desempenho do ministro. Guedes foi gigante em um ambiente que foi criado apenas para desgastar a proposta e confundir a população, mas, o ministro mostrou que domina a pauta no mérito técnico e político.

É insustentável ser contrário à reforma da previdência. Há mudanças que devem ser realizadas pelo Congresso Nacional, a exemplo das mudanças propostas na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas é fundamental romper privilégios e bater de frente com um sistema que é financiado pelos mais pobres.

De acordo com estudo do Ministério do Planejamento, divulgado em dezembro de 2018, apenas 3% dos benefícios pagos pela previdência social vão para os mais pobres. De acordo com o documento 41% dos benefícios pagos pela Previdência Social são direcionados aos 20% mais ricos. Portanto, ser contrário à reforma da previdência, cortando privilégios, é ser contrário a redução das desigualdades em nosso país.

Precisamos ficar atentos pois aqueles que querem manter seus privilégios são organizados e querem continuar nessa posição. Da mesma forma não podemos nos deixar ser levados pelo canto da sereia, que é protagonizado pelos partidos de esquerda. Pode parecer uma bela canção, mas na verdade sua narrativa pode fazer nosso país naufragar em mares profundos.

Bruno Alves é Secretário Geral da Juventude Democratas Brasil