O que deve ser um Jovem Democrata?
Lucivânio Jatobá
Alguns jovens pediram-me, informalmente, que escrevesse algo sobre a juventude e em especial o que penso a respeito de um JD (Jovem Democrata) na atual conjuntura nacional. Esse pedido, que muito me honra atender, me induziu a fazer algumas reflexões sobre esse importante e estratégico tema, especialmente quando a juventude brasileira, desencantada com tantos escândalos nacionais, que povoam semanalmente os noticiários de rádios, TVs e jornais, se mostra, em grande parte , indiferente à política, em estado voluntário de mudez.
Os dicionários da língua portuguesa assim definem, em geral, juventude: “ período da vida situado entre a infância e a idade adulta”; “gente moça” ; “gente moça , desencaminhada dos bons costumes”. Tais definições pecam substancialmente por colocarem a juventude apenas como uma etapa cronológica e, muitas vezes, uma fase do desenvolvimento do ser humano. E mais, associam a juventude à alienação, aos maus costumes. Será isso mesmo a juventude?
A História do Brasil, especialmente quando analisa os acontecimentos mais destacados do século XX, mostra que a juventude desempenhou um papel de extrema importância na vida nacional. Um dos marcos da participação dos jovens nas ações políticas foi a memorável campanha nacionalista : “O Petróleo é Nosso”. Mais recentemente, o movimento “Fora Collor”, exibiu a ativa participação de moças e rapazes, aos milhões, nas grandes cidades brasileiras, pedindo a destituição de um Presidente da República.
Esse silêncio atual que se estabeleceu no país, atingindo especialmente a Juventude, pode e deve ser quebrado. E´ uma tarefa a ser cumprida como uma exigência do exercício da Cidadania. E, nesse particular, o JD pode desempenhar uma função que será histórica. Mas para que a Juventude Democrata torne-se um organismo saudável e eficiente, há a necessidade de princípios éticos sérios. Essa é a tarefa mais urgente na presente conjuntura.
Mas o que se espera de um JD? Em que o JD deve se diferenciar de outros jovens?
1- Um JD deve ser um exemplo moral na comunidade em que vive , na escola, na família. Deve sempre mostrar, com atitudes e comportamentos, que não concorda com a corrupção. Deve odiar a corrupção! A corrupção está pondo em perigo a ordem democrata brasileira. Deve evitar envolver-se com negócios escusos das mais diferentes naturezas. Não deve procurar tirar vantagem, usando estratégias oportunistas, nas diversas esferas da vida.
2- Um JD deve ser patriota. Deve amar o Brasil e se sentir honrado de ter nascido nesse país. Contudo, nunca assumir um comportamento xenófobo, ou seja, demonstrar ódio a coisas ou a pessoas de outros países. A espécie humana é uma só. Todos somos oriundos de um mesmo tronco racial. As diferenças políticas e étnicas são necessárias e assim devem ser vistas. A intolerância étnica é o maior absurdo da humanidade e em seu nome foram cometidas as mais criminosas atrocidades.
3- Um JD deve dedicar-se ao estudo. A leitura de livros e textos, sobretudo de História, Economia e Geografia do país, região ou Estado em que vive é uma tarefa que deve ser permanente. O JD deve dar uma particular atenção, ainda, a documentos partidários de bom nível. Só se pode modificar uma realidade conhecendo-a. Todo embate político pressupõe conhecimentos políticos, econômicos e históricos.
4- Um JD deve ser solidário. O egoísmo é um dos piores defeitos do ser humano. Para o homem moderno, “tudo tem que ser para o indivíduo e nada deve ser para os outros.” Não deve pensar assim um JD. Não é essa a ética de um JD. Não se pode deixar que o individualismo exacerbado seja o motor do mundo.
5- Um JD precisa aperfeiçoar-se na arte de redigir e falar em público, sempre de uma maneira simples, para que possa ser entendido facilmente. Ao falar numa reunião política ou para uma comunidade, policiar-se para evitar o comportamento arrogante, atitudes de “o dono da verdade”. Não é esse o comportamento de um democrata! Um democrata sabe ouvir, mesmo quando um adversário o ataca. Saber ouvir é uma sabedoria! A arrogância no falar só serve para afastar as pessoas do orador.
6- Um JD deve conhecer as diferentes competências e responsabilidades dos Poderes da República estabelecidas na Constituição da República Federativa. Assim, saberá se esta está sendo cumprida ou desrespeitada. Se não está sendo cumprida, deve denunciar os desvios para seus colegas de trabalho e escola , amigos, familiares e a comunidade.
7- Um JD deve conhecer os diferentes sistemas e regimes políticos existentes no planeta. Deve estudar as ideologias que os fundamentaram e os benefícios e/ou malefícios que trouxeram à humanidade. As ideologias devem ser respeitadas, mas não significa esse respeito uma tolerância a princípios e fatos que proporcionaram crimes hediondos em nome da “política” e da ideologia. Os fins não podem justificar os meios, sobretudo quando estes significam matar, oprimir, perseguir.
8- Um JD deve ser disciplinado, mas não um vassalo ou um bajulador. Um JD não pode ser apenas um “tarefeiro”. Deve ser disciplinado na família, na escola, no trabalho, na comunidade e, sobretudo, no Partido. Numa reunião, precisa ser paciente, esperar a vez de falar, mesmo que isso lhe cause, interiormente, inquietação. Ao se referir a um colega ou a um membro qualquer do Partido, deve fazê-lo de maneira educada, civilizada. Nunca agredir com palavras ou gestos um outro JD ou qualquer pessoa. Agressão não é uma característica de um democrata; é uma tônica dos que advogam o pensamento único, o totalitarismo.
9- Um JD deve acompanhar pelos diferentes meios de comunicação os acontecimentos nacionais e internacionais, especialmente aqueles que dizem respeito às atividades políticas. Depois de confirmada a veracidade das informações obtidas, é dever do JD divulgar a denúncia, se for o caso, para outros JD e para a comunidade nacional, sobretudo.
10- Um JD deve ser um ferrenho defensor da liberdade de opinião. Qualquer ação política que implique na privação da liberdade de opinião, de credo religioso, de ter uma ideologia (exceto as que pregam a violência, a xenofobia e o racismo) deve ser de imediato denunciada pelo JD na família, na escola, no trabalho ou na comunidade. A liberdade é o maior bem da humanidade. “Liberdade, liberdade, abre (sempre) as asas sobre nós”! eis um dos lemas de um JD.
É assim que vislumbro um Jovem Democrata.
* Lucivânio Jatobá é professor em Recife (PE). |